Em Brasília, viciados vivem até dentro de esgotos para consumir crack

Bom Dia Brasil

O número de viciados em crack tem aumentado assustadoramente, e são cada vez mais jovens. Trata-se de um combate que só será possível se for feito de maneira integrada, com participação da Polícia Federal, que cuida das fronteiras, e das polícias Civil e Militar de Goiás e do Distrito Federal.

Vidas na escuridão são destruídas pelo crack. “Eu dei brecha e deixei o diabo entrar, invadir e destruir. E me levou para esse mundo”, conta um homem. “Comecei na maconha, depois bebida, depois a ‘merla’ e depois esse ponto final”, relata outro homem. “A química já tomou conta do meu organismo. Eu não consigo ficar sem tomar”, diz uma mulher.

Na cidade de Ceilândia, a 25 quilômetros de Brasília, encontramos usuários de crack vivendo nos subterrâneos da rede de esgoto. Muitos dependentes do crack vão até os bueiros para consumir a droga. Mas muitos deles também já perderam tudo, não têm mais onde morar e passam a maior parte do tempo nos bueiros. É onde eles vivem.

Uma mulher de 40 anos perdeu o emprego e já esteve presa. Deixou os três filhos. “Só destruição, só destruição”, lamenta. São como vidas quase invisíveis para quem passa lá fora. “É o que eu mais sonho na minha vida é poder andar de cabeça erguida. Não como um bicho, como um resto”, sonha um viciado.

Ao longo da linha do metrô, o tráfico é feito à luz do dia. Um casal dá dinheiro a um traficante. Ele entrega as pedras de crack e esfrega a mão na roupa para tirar os resíduos. Usuários preparam os cachimbos para queimar as pedras e fumar a droga.

No centro de Brasília, mais flagrantes: um rapaz traz um par de tênis para um homem de boné, que é o traficante. Outro traz óculos. É o pagamento pelo crack. Um adolescente traz dinheiro e recebe a droga. Outro homem compra o crack, dá uma pedra para um menino e se esconde com uma mulher embaixo de um cobertor para fumar a droga. Depois, fuma com o menino.

Segundo a polícia, até chegar a Brasília, o crack percorre um longo caminho. A pasta base da cocaína vem da Bolívia, entra no Brasil por Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em laboratórios clandestinos em Goiás, a pasta base é misturada a produtos químicos para fazer as pedras de crack, que chegam a Brasília. Em 2010, a polícia apreendeu 35 quilos de pedras de crack em Brasília, três vezes mais do que no ano anterior.

“Nós temos de trabalhar de maneira bastante determinada para pegar os narcotraficantes. Trabalhos estes que têm de ser integrados e coordenados por uma inteligência única, que possa fornecer elementos para as autoridades policiais trabalharem de uma maneira mais eficaz no combate às drogas”, explica Daniel Lorenz de Azevedo, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal disse ainda que existe a preocupação de identificar, além do pequeno fornecedor que atua nas ruas, os médios e grandes traficantes que agem na região do entorno do Distrito Federal.

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