Internação compulsória: prós e contras

Quem vê aquele homem todo maltrapilho, andando descalço, com um olhar perdido e desorientado, talvez não imagine que ele, até poucos anos atrás, tinha uma vida normal. Sérgio* foi morar nas ruas após uma discussão com a família – esta, por sinal, mal reconhece aquele que, com apenas 27 anos, abandonou tudo pelo crack. Muitos dependentes químicos possuem histórias semelhantes. Talvez você conheça alguém como o Sérgio. E a pergunta que fica é como ajudar alguém que não quer ajuda? Será que vale a pena internar a força? Neste texto você vai descobrir os prós e contras da internação compulsória.

O que é internação compulsória e internação involuntária?

Antes de falarmos sobre os prós e contras da internação compulsória, é importante entender que esta modalidade é um procedimento legal, previsto pela Lei Federal 10.216/2001, determinado pela Justiça quando o paciente se encontra em situação grave que não aceita qualquer tipo de tratamento, sem capacidade de decidir sobre sua própria saúde e assim colocando sua vida e a vida das pessoas a sua volta em risco. Apesar da lei já existir desde 2001, só em 2013 com o agravamento da epidemia do crack alguns estados tomaram providências para ampliar e facilitar o tratamento através deste recurso.

É importante salientar que mesmo sendo um procedimento jurídico o juiz jamais deve determinar o tempo de tratamento para o paciente, cabe ao médico especialista que será responsável pelo tratamento determinar a data de término do tratamento.

Já a internação involuntária é outro procedimento médico, também legal, onde a internação do paciente é solicitada por terceiros (pais, tutores, cônjuges ou por qualquer parente). Esse tipo de internação é solicitada diretamente para a unidade que realiza a internação. Não é necessário a intervenção judicial ou do Ministério Público, contudo é preciso que o estabelecimento comunique ao Ministério Público sobre a internação em até 72 horas após realizada o procedimento.
Assim como a internação compulsória, a internação involuntária deve ser acompanhada por um médico especialista.

Prós e contras da internação compulsória e internação involuntária

A situação de Sérgio e de tantos outros dependentes químicos provoca na família e na sociedade a urgência sobre o que fazer e, com isso, vale a pena analisar os prós e contras da internação compulsória e internação involuntária.

Entre os prós da internação compulsória/involuntária, o principal é chance de salvar a vida do dependente químico. Embora muitos desanimem, especialmente porque é comum que já tenha tido diversas tentativas para recuperação antes de chegar ao ponto de internação compulsória, é importante que a família não desista de lutar pela pessoa amada. É preciso lembrar que enquanto há vida, há esperança.

Outros prós da internação compulsória/involuntária são o afastamento do dependente químico de áreas ou pessoas de risco, a alimentação e o descanso adequados, os cuidados com a saúde física e o acompanhamento intensivo de profissionais da área de saúde, para que o dependente químico consiga passar pela síndrome de abstinência com todo o suporte necessário. A internação compulsória ajuda-o a se preparar para o tratamento terapêutico.

Além disso, como escrito no início desse texto, a internação compulsória é prevista por lei. Também é preciso lembrar-se de que a própria constituição brasileira prevê o direito à saúde e à vida. Assim, se uma pessoa está fora de suas condições mentais para decidir-se por si, cabe às autoridades competentes que a ajudem.

Já os contras da internação compulsória/involuntária estão relacionados ao fato de que não há garantia de que o dependente químico irá aderir à total abstinência após o período de reabilitação. O que se sabe é que, livre das substâncias psicoativas, o dependente químico fica mais predisposto a aceitar ajuda. Por isso é importante que, mais do que internar, aconteça o acompanhamento médico e psicoterapêutico para que haja mais chances de reabilitação.

Assim, ao analisar os prós e contras da internação compulsória, é fácil entender que vale a pena tentar esse tipo de intervenção para que o dependente químico tenha chance de se recuperar e voltar a ter uma vida normal. Pois, nesses casos, aguardar que ele tenha vontade de se tratar é uma ilusão. E abandonar o dependente químico a própria sorte é como esquecer uma criança na rua.

Se você quer saber onde encontrar um local adequado para internação, acesse: clínica de internação para dependente químico.

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*Nome fictício

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