“Ter TOC não é engraçadinho como no cinema”, diz autor de livro sobre tema

O britânico David Adam, 43 anos, não se incomoda em falar sobre o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Ele, inclusive, conseguiu escrever um livro surpreendentemente leve e bem-humorado sobre o seu medo de contrair Aids, uma obsessão tão forte que o levou a ser diagnosticado com o transtorno.  Porém, se você quer irritá-lo, mencione Jack Nicholshon – ator americano que interpretou um personagem com TOC – e ganhou um Oscar – no filme “Melhor é impossível”, de 1997.

“Como ele é um bom ator, muita gente saiu do cinema achando que aquela coisa de ficar pulando de uma pedra do calçamento para outra com um sorrisinho irônico nos lábios realmente é um retrato do TOC. Em quase nenhum momento dá para ter uma ideia do sofrimento e da frustração trazidos pelo transtorno”, explicou Adam à Folha de São Paulo.

“O Homem Que Não Conseguia Parar”, livro que acaba de chegar ao país, é em grande parte um antídoto contra essa ideia de que pessoas com o problema se caracterizam por um conjunto engraçadinho e inofensivo de manias excêntricas, ou que donas de casa que não suportam ver uma manchinha no tapete “têm TOC”.

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Para o diagnóstico, o lado obsessivo é tão importante quanto o compulsivo. Ou seja, quem tem TOC não apenas sente vontade de repetir certas ações, pois tais comportamentos, na verdade, aparecem como forma de aliviar as obsessões – ou seja, pensamentos invasivos que angustiam ou aterrorizam a pessoa afetada.

A compulsão de David Adams teve origem na sua fixação com a ideia de que poderia contrair HIV

No caso de Adam, que hoje é editor da prestigiosa revista científica “Nature”, a origem de seu TOC parece ter começado após uma noite de sexo casual sem camisinha em 1990, quando ele tinha 18 anos e estudava engenharia química na Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra. Um amigo sugeriu que ele tinha corrido o risco de pegar o vírus da Aids. “Deixa de loucura”, responde ele, mas a ideia simplesmente se fixou na cabeça do rapaz.

Começaram, então, décadas de martírio, incluindo a checagem incessante de todo tipo de superfície na qual ele encostava em busca de marcas de sangue reais ou imaginárias, ligações constantes para serviços de atendimento sobre HIV do governo britânico (nos quais ele chegava ao cúmulo de fingir diferentes vozes para não ser novamente reconhecido pelos atendentes) e recorrentes exames de sangue.

Apesar de citar esses detalhes autobiográficos, o principal foco do livro “O Homem Que Não Conseguia Parar” é o que os cientistas têm conseguido descobrir sobre o TOC. “Na verdade, eu só consegui escrever sobre o tema depois que melhorei. O livro não foi uma forma de terapia, não era o tipo de narrativa que eu achava interessante fazer”, conta Adam, que toma remédios para controlar o transtorno e também faz terapia comportamental – uma estratégia frequentemente indicada para quem tem TOC.

Na Clínica Viva, quem sofre de TOC tem o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar altamente capacitada, que inclui médico psiquiatra e psicoterapeutas especializados em terapia cognitivo-comportamental. Quer saber mais detalhes? Veja em nosso site: tratamento para TOC.

Serviço:

Livro ‘O Homem Que Não Conseguia Parar

Autor: David Adam

Tradução Flávia Assis

Editora: Objetiva

Valor: R$ 39,90

Com informação da Folha de São Paulo 

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