“Meus filhos me salvaram”. Leia a comovente história de um pai alcoolista

Manoel* tem 54 anos e tinha perdido tudo devido o alcoolismo. Eis que ele se recuperou e agora nos conta sua comovente história. Confira na íntegra:

10 de agosto de 2014 será um dia especial. Será o meu primeiro Dia dos Pais recuperado. Para ser sincero, eu nem lembro quando foi a última vez que passei essa data assim, sóbrio. Provavelmente meus filhos ainda eram crianças. Não sei, não me lembro.

Sempre gostei de beber. Minhas biritas eram sagradas e ai daquele que viesse me encher o saco por eu estar bebendo. Mas antes, há muito tempo, era mais no fim de semana. Depois, fui aumentando as dose. Eu lembro que me sentia orgulhoso porque eu aguentava beber mais do que a maioria das pessoas.

Perdi as contas de quantas vezes eu cheguei em casa bêbado. Às vezes até carregado por algum colega de bar. E, claro, a minha mulher não ficava feliz com minhas bebedeiras. O álcool foi responsável por muitas, muitas brigas nossas. Como se não bastasse, eu também perdia a paciência com meus filhos. Qualquer coisa me tirava do sério e até cheguei a agredi-los.

Em cinco anos eu perdi tudo o que eu tinha. Não apenas material, mas minha família, meu trabalho e minha dignidade. Minha vida se resumiu em encher a cara e perambular pelas ruas da cidade. Eu não tinha forças para parar. Eu precisava do álcool para viver. Não sabia controlar esse desejo, era mais forte do que eu.

E nesta fase em que eu já estava dominado pela bebida, eu vivia dormindo pelas ruas, caído em qualquer canto da cidade. Algumas pessoas me olhavam de maneira torta, mas um fato que me marcou demais foi o dia que vi minha filha caçula, com  17 anos, voltava da escola e eu estava caído em uma calçada próxima. Apesar do meu estado eu a reconheci, mas ela simplesmente atravessou a calçada e abaixou a cabeça. Minha própria filha fingir que não tinha me visto doeu demais, porém, foi aí que eu tive estalo, sabe? O que eu estava fazendo da minha vida?

Me esforcei e fui à casa dos meus filhos. O mais velho, de 20 anos, foi quem atendeu a porta. Me ajoelhei e pedi perdão por tê-los largado, que a vontade de beber era mais forte do que eu, mas que eu estava disposto a mudar, só precisava de uma chance. Eu podia ser uma pessoa melhor. Meus filhos falaram que eu precisava urgente me internar e concordei com eles. Eles puxaram pela internet as informações e dois dias depois eu fui internado.

Faz três meses que saí da unidade de internação da Clínica Viva e estou na fase ambulatorial. Se foi fácil ficar internado? Não, não foi. Mas aprendi que o alcoolismo, por ser uma doença, é assim mesmo. Temos altos e baixos, crises de abstinência, porém, também temos vitórias. E eu tenho a felicidade de contar a minha maior vitória: a recuperação. Sei que terei que tomar cuidado para o resto da minha vida, mas hoje eu substitui o álcool por duas preciosidades: meus filhos.

Eu falo para todo mundo: meus filhos me salvaram e hoje sou feliz em tê-los mais perto de mim. Hoje eu tenho minha família por perto, voltei a ter saúde e posso sorrir para a vida. E o próximo Dia dos Pais será fantástico pois voltarei a comemorar a data com os meus filhos.

E o que eu posso falar para quem está passando por isso? Saibam que é possível a recuperação, mas é preciso tentar e ter força de vontade. Espero que minha história de vida sirva de inspiração para os que ainda sofrem com o alcoolismo. E, claro, Feliz Dia dos Pais!

*Nome alterado para preservar a identidade do paciente.

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