77% das adolescentes podem desenvolver transtornos alimentares, revela pesquisa

 

A adolescência é uma fase de mudanças. Também é uma fase onde a relação do indivíduo com o corpo pode ficar conturbada. Isso porque muitos adolescentes podem ter baixa autoestima por não ter um determinado tipo físico. Um exemplo é o resultado de uma pesquisa da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo que mostra que, das 150 entrevistadas entre dez e 24 anos, 85% seguem um padrão de beleza magro.

Segundo o estudo, quase a metade acha que as mulheres magras são mais felizes e mais paqueradas. Mais da metade delas (55%) queria dormir e acordar magra e 20% querem juntar dinheiro para fazer plástica. E o que mais chamou atenção dos médicos é que 77% correm risco de desenvolver distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia. Isso porque 53% fazem dieta sem orientação médica e 40,5% admitem que já usaram remédios para emagrecer.

Embora a pesquisa tenha como foco o sexo feminino, os homens também podem apresentar transtornos alimentares. Mas por que tanta obsessão em buscar um determinado tipo físico? Para a psicóloga Andréia Guimarães, da Clínica Terapêutica Viva, os jovens buscam um padrão estético que grande parte da sociedade acredita ser belo. “Muitos querem um padrão magro, fazem dietas restritivas e até ficam sem se alimentar, tudo em busca do ‘corpo perfeito’. Essa obsessão se dá através do que a sociedade impõe como bonito, como é visto muitas vezes nas passarelas e na televisão, onde ainda há poucos tipos físicos além do magro”, diz.

E qual é o problema em querer um determinado corpo?

A psicóloga explica que não há nada de errado ter como objetivo um determinado tipo de corpo desde que seja de forma adequada ao seu tipo físico, ou seja, é preciso respeitar os limites do próprio corpo. “É importante que seja orientado por profissionais e tenha a supervisão da família para que essa necessidade em ser magro não se torne uma obsessão, o que pode ocasionar, em alguns casos, algum tipo de transtorno alimentar”, orienta Andréia.

A psicóloga alerta que é preciso estar atento ao comportamento dessas adolescentes e jovens mulheres. Obsessão em relação às calorias de cada alimento que está ingerindo, evitar comer com a ideia de que pode engordar, ficar olhando excessivamente ao espelho e comparar-se demais com colegas que são mais magras são sinais de que é preciso cuidado e que, além do apoio da família, é importante buscar ajuda profissional.

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