Quando começar o tratamento para a dependência química?

 

Esperar, sem dúvida, é uma virtude. Mas será que vale a pena esperar quando o assunto é saúde? É muito comum as famílias demorarem a buscar tratamento profissional para os dependentes químicos. De acordo com o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II LENAD), o tempo médio das famílias buscarem ajuda após o conhecimento do consumo de álcool e/ou drogas foi de 3 anos, sendo 2 anos para usuários de cocaína e/ou crack e 7.3 anos entre  os  dependentes  de  álcool.  Muito tempo, não é? E o motivo da demora foi, segundo a maioria das famílias, a recusa do paciente em fazer qualquer tipo de tratamento.

Esta recusa do paciente é conhecida como a fase da negação. A pessoa diz que não é dependente, que pode parar sozinha a qualquer momento e assim vai. “A fase da negação em dependência química é um dos maiores fatores a serem superados no tratamento. A dificuldade em reconhecer a doença não está só no paciente, mas também na família. Na verdade, nem todos os usuários ou abusadores de substâncias psicoativas reconhecem que têm problemas. As pessoas apresentam dificuldades em reconhecer os seus problemas, elas conseguem ver os problemas dos outros, mas os seus sempre começam a inventar ‘desculpas’. A fase da negação é semelhante ao processo de luto, extremamente doloroso”, explica a psicóloga especialista em dependência química Sonia Paes Breda, da Clínica Terapêutica Viva.

A família precisa mostrar-se unida e não usar acusações ou argumentos de troca como ‘se você não fizer isso eu não vou te dar aquilo’.

Sonia também alerta que a família demora a reconhecer os problemas. “As pessoas de um modo geral, tem um conceito de que o dependente químico é um delinquente, marginal e não entendem que é uma doença. A dependência química é considerada uma doença crônica, que é causada pela necessidade psicológica da pessoa em buscar o prazer e evitar sensações desagradáveis, causadas pela abstinência”. Portanto, reconhecer que um familiar é dependente químico é o primeiro degrau para a aceitação de que uma intervenção profissional será necessária. E como todo tratamento, quanto mais rápido começar, melhor.

Mas e quando a família reconhece que um membro familiar precisa de ajuda, mas o paciente se recusa a tratar-se? A especialista da Clínica Viva sugere que as famílias procurem conversar com o dependente químico. “Procure dizer ao paciente que ele não está sozinho, que neste momento ele precisa de ajuda. Que a família o ama, porém, não ama o seu comportamento. A família precisa mostrar-se unida e não usar acusações ou argumentos de troca como ‘se você não fizer isso eu não vou te dar aquilo’. Ser sincero, não fazer falsas promessas, ter firmeza nas palavras e limites. A pessoa precisa saber que não está sozinha e que a recuperação será feita através de profissionais especializados, pois esse será o melhor caminho”, diz Sonia.

Em alguns casos, o dependente pode não aceitar ajuda, mesmo com uma conversa franca com os familiares. Por isso está previsto por lei a internação involuntária e a compulsória. Nesses casos, a intervenção é necessária para casos em que o paciente coloca a própria segurança em risco ou até mesmo de pessoas próximas, especialmente a família. “Quando o paciente não tem força e não identifica a sua doença, a família deve tomar as providências de interná-lo. Desde que a instituição possua a legalidade para tal procedimento, que a clínica tenha uma equipe multidisciplinar que conte com a presença do médico, é importantíssimo acontecer a internação”, esclarece a psicóloga.

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