Likeness: vídeo retrata transtornos alimentares

Parar em frente a um espelho e olhar o reflexo de si. Para uns, isso é um momento gostoso. É hora de admirar aquele ser único. Já para outros, olhar no espelho é uma tortura. É um olhar tão autocrítico que não é possível admirar nada daquilo que está vendo. Pelo contrário. Prefere ressaltar o que é supostamente feio em si. Encontrar defeitos onde não existe. E com essa distorção de imagem vem a tristeza, o sentimento de rejeição e a vontade de ser diferente. Prefere pensar o quanto seria bom se fosse igual a um modelo, ator ou cantor, não aceitando o que há de bom em si. Como se aquelas imagens estáticas e perfeitas (graças a vários recursos, como maquiagem e editores de imagem) de uma revista ou programa de TV fossem a realidade.

Essa distorção de autoimagem é um sintoma comum entre pessoas que sofrem de anorexia ou bulimia. Pensando em retratar imagens criadas na cabeça de alguém que sofre de transtorno alimentar, o diretor Rodrigo Prieto (conhecido por sua direção de fotografia em filmes de sucesso, como “O Segredo de Brokeback Mountain”) fez o curta-metragem “Likeness” (‘Semelhança’, em tradução livre), que retrata muito bem o quanto pode ser distorcida a imagem de uma pessoa por ela mesma. A inspiração de Prieto foi sua filha, Ximena Prieto, que já sofreu transtorno alimentar e hoje está recuperada. O filme é estrelado pela atriz Elle Fanning, 15 anos.

“Nós esperamos ajudar outras pessoas ou famílias a se abrir e falar sobre o que eles estão sentindo ou experimentando. O filme não é apenas sobre transtornos alimentares, mas também sobre esses sentimentos que todos nós temos, de sermos julgados e isolados nesta sociedade”, disse Prieto para o portal Today (NBC News).

Para a psicóloga Andréia Guimarães, da Clínica Terapêutica Viva, há pessoas que acreditam que a aprovação dos outros é fundamental para sua vida, mas não percebem que a aprovação precisa ser de si. “A pessoa busca ser aceita e como ela mesma não se aceita, distorce toda uma situação, distorcendo também seus pensamentos sobre o fato e a sua imagem, tendo comportamentos e atitudes negativas, como provocar o vômito ou se isolar”, conta.

A psicóloga ressalta, ainda, o quanto é importante a autoaceitação e o amor-próprio. Pois só assim conseguimos valorizar quem somos e  podemos entender que as pessoas são diferentes, seja pela personalidade ou pelo tipo físico, e que isso é bom, pois são essas diferenças que tornam as relações interpessoais interessantes.

Assista o curta-metragem “Likeness” e conte para nós o que achou do vídeo:

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