Dia do Alcoólico Recuperado é celebrado hoje

Hoje, 9 de dezembro, é um dia especial. É dia de celebrar o Dia do Alcoólico Recuperado no Brasil. Quem já enfrentou o alcoolismo ou conhece alguém que já superou a dependência sabe que a recuperação deve ser comemorada todos os dias. Afinal, o uso excessivo de álcool afeta a vida pessoal, social e profissional do dependente.

Mas ainda há muitos que estão na luta contra o alcoolismo. Para ajudar os que sofrem desta doença, alguns ex-alcoolistas contam suas histórias de vidas para mostrar que vencer o alcoolismo é possível. É o caso de Antonio Carlos Rosa, autor do livro “Alcoolismo – a doença que muitos escondem”.  Leia a entrevista concedida ao site Alcoolismo no qual Antonio conta como o alcoolismo prejudicou sua vida e como ele conseguiu se recuperar:

Com que idade começou a beber?

Antonio Carlos Costa – Entre 14 e 15 anos

O que o senhor perdeu ou deixou de conquistar durante esse período?

Antonio – Bebi demasiadamente até os meus 33 anos, mas não aceitava a condição de alcoólatra. Nesse período minha maior perda foi à dignidade, capotei dois carros e etc. Perda material foi pouco, realmente deixei de conquistar, por exemplo, uma vida mais feliz e muitas outras coisas

Ocorreram problemas com sua família e trabalho? Quais?

Antonio – Vários problemas. Eram normais as manipulações, mentiras, nunca tinha dinheiro para nada, apesar de ganhar um bom salário. No trabalho, pouco produzia, pois permanecia a maior parte do meu horário de trabalho nos bares. Só não fui demitido, pois sou funcionário público.

Quanto tempo o senhor levou para aceitar que estava doente?

Antonio – Depois que parei ainda fiquei uns dois anos me questionando, apesar de não beber. É, realmente, difícil de aceitar.

 É para tratar a doença, como fez?

Antonio – Quando me conscientizei que era um alcoólatra a situação ficou mais fácil. Com muita força de vontade e perseverança.

 E o livro? Quando decidiu escrever e por quê? Quanto tempo demorou para escrevê-lo?

Antonio – O Objetivo do livro é sinalizar as pessoas, principalmente os jovens que se encontram na garra do alcoolismo, que abandonar a bebida é para quem quer e não para quem precisa. Demorei cerca de oito meses para concluir o livro.

Fale um pouco mais sobre o livro…

Antonio – O livro retrata a minha vida e experiência no alcoolismo, como entrei e sai dessa desgraça e vários depoimentos de companheiros, de vários níveis sociais, que também abandonaram a bebida.

Existe um limite para se beber? Existe “beber socialmente”?

Antonio – Para o alcoólatra, bebedor problema, alcoolista etc, o limite é o desmaio e apagamentos; bem como, muitos bebem até a morte.

O nome do seu livro é Alcoolismo – A doença que muitos escondem, Porque muitos escondem o alcoolismo?

Antonio – Porque é uma doença que estigmatiza as suas vítimas. Ninguém quer ser chamado de bêbado, por exemplo.

O senhor tem filhos? Eles bebem? Dá ou deu algum tipo de conselho para eles?

Antonio – Sim. Tenho 2 filhos e, segundo eles, provaram e não gostaram. Pois o exemplo não é a melhor maneira de você transformar alguém, mas sim a única e, talvez, pelo meu exemplo não se entusiasmaram pela bebida. Eu não sou contra a bebida e a doença do alcoolismo não está na garrafa e sim dentro daquelas pessoas que ao ingerir uma só dose de bebida alcoólica, desperta uma compulsão sem limites.

Como o senhor vê as propagandas de bebidas no Brasil?

Antonio – Danosas à sociedade. Observe que nas propagandas só aparecem lindas mulheres, homens sarados e de sucesso, não aparece um negro, nem ninguém internado em clínicas psiquiátricas ou em hospitais, lembrando que mais de 60% dos leitos do setor de ortopedia dos hospitais, são ocupados por vítimas diretas ou indiretas do alcoolismo. Haja visto o grande número de acidentes em trabalho e veículos, praticados por pessoas embriagadas.

E o tratamento do alcoolismo. O que o senhor acha que deve ser feito?

Antonio – Muitos precisam de clínicas ou acompanhamento médico, tal o estado avançado da doença como delirium tremmes, subnutrição e outros problemas clínicos ou patológicos e outros apenas com grupos de mútua ajuda tipo Alcoólicos Anônimos ou igrejas, conseguem entender a sua doença e parar de beber.

Deixe um recado pra quem está começando ou para quem esconde a doença?

Antonio – Abandone enquanto é tempo e evite um trilhar de desgraças e decepções, beber não é sinônimo de viver a vida, e sim de desilusões e tristezas. Lembre-se que o mal do protegido é o protetor, assuma de verdade a sua doença, só assim o tratamento fica mais fácil.

 

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