Mulheres são cada vez mais vítimas do crack

Quando se pensa em dependentes químicos, muita gente esquece que as mulheres também podem ficar suscetíveis às drogas.  A pesquisa “Perfil dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil”, divulgada em 19 de setembro pelo Ministério da Justiça em parceria com o Ministério da Saúde, aponta dados importantes sobre a dependência química feminina.

Assim como se percebe aumento de dependentes químicos em todo o Brasil, o que é um sério problema de saúde pública, proporcionalmente cresce o número de mulheres envolvidas com drogas. Para a psicóloga e especialista em dependência química, Sonia Paes Breda, da Clínica Viva, há vários motivos que podem explicar o aumento da dependência química entre as mulheres. “A falta de autoestima, falta de acesso a esporte, cultura, lazer e escolas em tempo integral, desagregação familiar, falta de empregos, assim como a forma de lidar com os problemas familiares ou frustrações podem contribuir para o uso cada vez mais compulsivo, levando aos inúmeros prejuízos”, argumenta.

Para poder adquirir as substâncias psicoativas, muitas mulheres se prostituem. “É frequente o relato de sexo sem proteção e a crença de que não estão em perigo”, conta a psicóloga. De acordo com a pesquisa, as mulheres lideram o ranking quando o assunto é trocar sexo por dinheiro ou mesmo por drogas: 29,9% das usuárias contra apenas 1,3% dos usuários.

E o resultado do sexo sem proteção foi também revelado em números pela pesquisa: 29,3% das mulheres usuárias de crack já engravidaram pelo menos duas vezes depois que começaram a usar a droga. Quando uma mulher grávida consome crack, a criança, ainda em formação, também recebe as substâncias através da placenta. Também é possível transmitir as substâncias consumidas através do aleitamento materno.

As consequências desse ato para o feto variam entre baixo peso, má formação na estrutura, problemas comportamentais e de aprendizagem. “A intensidade e variedade destes sintomas dependem da quantidade e frequência do uso, associados com deficiências nutricionais, entre outros fatores”, acrescenta Sonia.

Outro fato importante revelado na pesquisa é que a quantidade de pedras consumidas por mulheres é maior do que os homens. Elas consomem cerca de 21 pedras por dia, enquanto eles, 13. Porém, os homens usam por mais tempo do que as mulheres: enquanto eles consomem crack por, em média, 83,9 meses, elas usam por, aproximadamente, 72,8 meses.

O tratamento para a dependência química depende do nível em que a dependente se encontra. Para saber mais detalhes como funciona o tratamento, clique aqui.

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