Vestido de palhaço, psiquiatra vai às ruas se aproximar de usuários de crack

Um palhaço caminha pelas ruas do centro de São Paulo. Não, ele não está ali para divulgar algum circo nem alguma empresa ou produto. Ele tem uma causa muito maior: convencer dependentes de crack a buscar tratamento.

Com um nariz de bola vermelha e o rosto maquiado, usando uma cartola branca, terno de tecido grosso e uma gravata feita com gaze, o palhaço Fanfarrone aborda usuários de crack da região conhecida como Cracolândia, em São Paulo (SP) para ganhar a confianças deles e convencê-los a buscar ajuda profissional.

O palhaço Fanfarrone, na verdade, é o médico psiquiatra Flavio Falcone, de 33 anos, formado pela Universidade de São Paulo (USP). Para o jornal Estadão, ele explica que estar caracterizado como palhaço facilita a aproximação. “O palhaço ajuda a estabelecer uma relação horizontal, de igual para igual, com o povo daqui. De médico, imediatamente se cria uma hierarquia que eu prefiro desconstruir”, diz.

Falcone decidiu ser psiquiatra após sonhar, aos 14 anos, que estava tratando de dependentes químicos. Ingressou na USP e, junto com o curso de Medicina, fez aulas de palhaço. “O palhaço lida com as sombras. Ele revela o lado ridículo de situações que, às vezes, levamos muito a sério. Eu sempre fui uma pessoa tímida. Passei a rir de mim mesmo, o que foi mais eficiente do que qualquer terapia. Parece que, hoje, renasci e vivo em outra encarnação”, diz.

Desde que decidiu sair às ruas com o propósito de ajudar os dependentes, há dois meses, ele calcula ter conseguido “criar vínculos” com cerca de 30 pessoas. Apesar da triste situação encontrada na Cracolândia, Falcone acredita no poder terapêutico de transformar em riso a tristeza humana.

Fonte: Jornal “Estadão”

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