Saiba identificar os sinais do TOC

Manias de limpeza ou arrumação. Quem não conhece alguém que seja assim? Porém mania é diferente de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Quem sofre de TOC precisa realizar alguns rituais para compensar pensamentos intrusivos.

“Pensamentos indesejados e rituais todo mundo tem. A pessoa pode até achar estranho, mas para por aí. A questão é como eles interferem no cotidiano e quanto sofrimento trazem”, diz a psiquiatra Roseli Shavitt, coordenadora do Protoc (Projeto Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo), do Instituto de Psiquiatria da USP.

A doença tem se tornado presente nas mídias, especialmente por casos de famosos que assumiram sofrer de TOC. É o caso do ginasta Diego Hypólito, que assumiu recentemente que, embora tivesse alguns sintomas desde o início da adolescência, foi só aos 18 anos que percebeu que os rituais o atrapalhavam. “Eu deixava de fazer muita coisa por causa de meus pensamentos negativos”, confessa o atleta para a Folha de São Paulo.

Na ficção, um exemplo de pessoa que sofre com TOC é o personagem Sheldon Cooper, da série “Big Band Theory”. Entre seus rituais, hora marcada para ir ao banheiro, um lugar específico no sofá e um pavor de ser contaminado por germes.

Estudos sobre o transtorno

A partir de estudos realizados por um grupo de pesquisadores e instituições de vários Estados do Brasil foi possível montar a maior base de dados existentes no país sobre o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Completando dez anos de atividade, o C-TOC (Consórcio Brasileiro de Pesquisa em Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo) chegou a conclusões importantes sobre as características e as formas de tratar o problema.

O que os pesquisadores ainda não sabem precisar são as causas do transtorno.”Cerca de 60% dos casos têm origem genética, mas ainda não descobrimos quais são os genes envolvidos”, diz a psiquiatra Christina Hajaj Gonzales, da Unifesp.

Isso não significa que a transmissão seja sempre direta, embora a hereditariedade também conte: filhos de pais com TOC têm 10% mais risco de ter o transtorno, segundo Shavitt. Para os médicos, o transtorno é causado pela interação de fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais.

Em pessoas com predisposição, algumas situações podem desregular o funcionamento de circuitos que conectam duas áreas cerebrais: a região ligada a processamentos de emoções, planejamento e controle das respostas de medo e a área relacionada a informações emocionais, cognitivas e motoras.

As pesquisas no Brasil e no mundo mostram que o TOC atinge entre 3% e 4% da população em geral, mas a proporção cresce em alguns grupos. Um estudo recente, da Northwestern University, em Chicago, diz que 11% das mulheres que acabaram de dar à luz desenvolvem o transtorno. É uma taxa tão alta quanto a da depressão pós-parto, que atinge 10% das mães. O estudo incluiu 461 mulheres que tiveram filhos no hospital da universidade.

“O parto pode ser um estímulo emocional forte o suficiente para desencadear os sintomas. Além disso, é um período de mudanças hormonais que, em teoria, também podem estar relacionadas ao surgimento do problema”, diz Shavitt.

Tratamento

“Temos evidências de que tanto a terapia cognitivo-comportamental quanto os medicamentos, usados de forma independente, são igualmente eficazes para os casos leves e moderados”, diz a psiquiatra Roseli Shavitt, do Instituto de Psiquiatria da USP.

Em casos mais graves, é preciso combinar a psicoterapia com uma classe de antidepressivos, os inibidores de recaptura de serotonina.

“Os medicamentos não mudam o comportamento diretamente, mas diminuem a ansiedade e o desconforto causados pelos medos. Já a terapia incentiva o paciente a enfrentar a situação ou pensamento amedrontador sem recorrer aos rituais”, diz a psiquiatra Albina Rodrigues Torres, da Unesp.

Estudos também mostram que 5% dos pacientes têm melhora completa e espontânea sem tratamento e 20% alternam períodos sem aparecimento de sintomas com fases agudas da doença.

Saiba mais sobre o tratamento para o TOC. Para ler relatos de pessoas que sofrem de TOC, publicados pelo jornal Folha de São Paulo, clique aqui.

Com informações do jornal Folha de São Paulo

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