Lutador de jiu-jitsu vence a luta pelo crack e recomeça a vida no esporte

O lutador de jiu-jitsu Fernando Augusto da Silva, mais conhecido como Fernando “Tererê”, tenta recuperar as conquistas obtidas no tatame após anos afastado devido à luta contra as drogas. Por conta do vício, especialmente em crack, perdeu quase tudo que havia conquistado no esporte.

Tererê é graduado pela equipe Alliance e, considerando todas as categorias nas quais competiu, já foi pentacampeão mundial de jiu-jitsu. Venceu duas vezes na preta, a mais tradicional, e uma em cada na azul, roxa e marrom. Ele possui também cinco títulos nacionais.

Todas as conquistas foram entre o final da década de 90 e o começo de 2000, quando passou a se envolver com as drogas. De 2004 até 2012, foram tentativas frustradas de conduzir a carreira em paralelo ao consumo de drogas. Tererê internou pelo menos três vezes desde 2004. Mas não adiantava.

“Nasci vendo pessoas usando drogas, mas não me envolvia, não conhecia o prazer daquilo. Depois de um tempo caí de gaiato, sem conhecimento. Comecei a usar e aquilo foi sendo um remédio e me viciando. Tomou conta do meu corpo e da minha mente e fez com que eu desabasse. Aí minha carreira foi por água abaixo. Não me dedicava mais ao esporte, não queria saber mais de nada. Vivia na rua”, lembrou Tererê, em entrevista ao UOL Esporte.

O vício fez com que o lutador perdesse tudo o que ganhou. Perdeu desde as franquias de sua academia, que começava a fazer sucesso por suas várias conquistas e nome relevante no esporte, até roupas e utensílios domésticos.

“A vida que eu tinha estava me levando para a morte. Não tinha mais vida decente, não comia direito, não tinha grana. Perdi minhas academias, não tinha roupa mais. Parecia um mendigo”, explicou. “Perdi muito, perdi muito. Se eu tivesse R$ 300,00 nas mãos, era gasto em papelote. Nem isqueiro eu comprava”, afirmou.

Depois de setembro do ano passado, após sua quarta internação, Tererê enfim não teve mais recaídas. Diz que os pais e amigos mais próximos foram fundamentais na reviravolta. Decidiu, depois de enfim se sentir seguro contra recaídas, a voltar com tudo ao esporte.  “Graças a Deus eu me superei, tive amigos, família e pessoas que não me abandonaram e deixei tudo de lado. Agora voltei e estou construindo tudo de novo que perdi antes.”

Ele reabriu sua academia, agora no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. Ela leva seu nome, foi reinaugurada em janeiro e tem aproximadamente 23 alunos.

Tererê passou a voltar a disputar competições. De outubro do ano passado pra cá, venceu um torneio no México, um em São Paulo e foi vice-campeão em uma competição na Europa. Se prepara para o Mundial de jiu-jitsu, que será realizado em junho, nos Estados Unidos.

Uma das principais missões a fazer pelos alunos e pessoas próximas é evitar que eles cometam o mesmo erro. “A minha academia tem projeto social e dou oportunidade pra quem é do morro estar lá. Não quero vê-los irem pra onde fui. No que eu puder alertar hoje, vou fazer. Sei o que é a pessoa passar nesse buraco e cair.”

Fonte: UOL Esportes

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