A dependência química no futebol profissional

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Parece fora de contexto tratar de uma tema tão complexo como drogas em um blog dedicado ao futebol. Sinal dos tempos, mas os narcóticos representam uma séria ameaça aos jogadores de futebol que são expostos cada vez mais a um ambiente inóspito que mescla riqueza, privilégios e muita pressão.

Na última quinta-feira,  o goleiro Rodolfo do Atlético-PR que havia sido flagrado no exame antidoping  admitiu o vício em cocaína. Ele conta com ajuda do clube e vai se internar em uma clínica de reabilitação. Com apenas 21 anos, ele tem plenas condições de se recuperar e começar uma nova história. Seja no esporte ou fora dele.

Recentemente, Jobson também foi apanhado no exame antidoping por uso de crack. Chegou perto de ser punido com uma suspensão de dois anos no esporte, mas acabou tendo a suspensão reduzida. O caso melou uma negociação do atleta com o Cruzeiro e ele se tornou um problema ambulante pelos clubes que passou. Nesta quinta-feira o atleta acertou com o Avaí para disputar a Série B. Torço para que se recupere. Talento ele sempre teve.

Tanto Jobson como Rodolfo têm sorte. Foram e são apoiados pelos clubes com quem tem vínculo. Infelizmente, outros dependentes químicos espalhados pelo Brasil não tem.  O uso de crack, por exemplo, tem chegados a níveis alarmantes. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios aponta que 90% dos munícipios brasileiros já registraram o uso da droga.

Trata-se de um grave problema de saúde pública que afeta diretamente os níveis da violência no país. Estudo do professor da PUC Minas  Luis Flávio Sapori, sociólogo e coordenador da pesquisa e do Centro de Pesquisas em Segurança Pública da universidade, dá conta que o consumo da droga gera violência, já que o efeito é muito rápido e o dependente sente forte desejo de consumir a substância compulsivamente.

E o que tem a ver  um problema social com o futebol? Tudo! Afinal, o consumo de drogas afeta todos os setores da sociedade.  Soma-se a isso a cultura do futebol brasileiro de priorizar o talento acima de praticamente tudo. Craques vivem em uma redoma de privilégios enquanto apresentam bom desempenho dentro de campo. São especiais enquanto jogam bem. Mas, como o esporte não é exato, esses mesmos atletas são expostos a pressão absurda e uma saraivada de críticas capaz de abalar o mais equilibrado dos seres humanos.

O problema começa em grande parte nas divisões de base, já que poucos são os clubes preocupados em formar adultos capazes de diferir o certo do errado.  O esporte é, em tese, um oásis da cidadania e pode ser um forte terreno para que novas gerações floresçam.  O futebol é parte fundamental da vida brasileira. Está enraizado em nossa cultura. No cenário atual muitos clubes perdem oportunidade de dar sua contribuição para o país.  Por hora resta apenas parabenizar os clubes que apoiam atletas dependentes químicos e desejar sorte.

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