A cada dia duas pessoas são internadas involuntariamente

Diretor de Unidade de Internação Involuntária comenta sobre a necessidade desse tipo de intervençãoPor Ana Paula Cury – Assessoria de Imprensa Clínica Viva

Dados de uma pesquisa realizada pelo Ministério Público foram divulgados pelo jornal O Estado de São Paulo. A pesquisa revelou importantes números a respeito da internação involuntária, um assunto muito debatido nos últimos meses. Diretor de unidade que realiza esse tipo de tratamento comenta a respeito da necessidade de realizar essa intervenção.

O método foi aposta do Governo Federal para o Plano de Enfrentamento ao Crack, e enquanto a justiça debate se é válida ou não, foi divulgado pelo Ministério Público de São Paulo uma pesquisa que determina que em São Paulo, em média 5.103 dependentes de drogas foram internados de forma involuntária nos últimos oito anos, uma média de duas pessoas por dia.

Segundo dados levantados pelo mesmo jornal, o número aumenta para 32.719 pessoas, se levadas em conta outras doenças psiquiátricas.

Para Verangelo Soares, diretor da unidade de internação involuntária da Clínica Terapêutica Viva, os dados se confirmam. “Os números do levantamento estão de acordo com aqueles que enviaram as notificações exigidas pelo Ministério Público, mas existem clínicas que fazem essa internação ilegalmente, o que elevariam as estatísticas”, disse ele.

Pelo levantamento, a maior parte dos pacientes involuntários apresenta diagnóstico de psicose, esquizofrenia e dependência química provocada por álcool e drogas – doenças diretamente associadas, segundo especialistas, que somam mais de 20 mil casos.

Verangelo Soares também confirma esses dados e evidencia que as internações involuntárias acontecem porque o indivíduo perdeu o poder de decisão para buscar ajuda, “O dependente não tem recurso nem força para buscar ajuda, o uso nocivo das drogas não permite que ele busque o tratamento por si só”, afirma.

Apesar de polêmica, a medida é considerada legal em todo o País desde abril de 2001, a partir da publicação da Lei 10.216, que permite que parentes de sangue optem pelo tratamento mesmo sem consentimento do paciente. A legalidade da internação, no entanto, depende da apresentação de um laudo médico, assinado por um psiquiatra.

Essa modalidade de internação deve ser notificada ao Ministério Publico Estadual, mediante a aprovação da família e num prazo máximo de 72 horas. A regra é válida para qualquer diagnóstico, relacionado ou não ao uso de álcool e drogas.

A exigência médica – aliada à regra que proíbe que o tratamento involuntário seja solicitado por maridos e mulheres – promove, segundo representantes do Ministério Público, uma subnotificação, especialmente entre pacientes com alto poder aquisitivo, que podem pagar clínicas particulares.

Verangelo ainda afirma que não são medidas extremas, mas sim necessárias, “É como quando um paciente quebra a perna, ele vai buscar ajuda médica e enfaixa a parte lesionada, neste caso é a mesma coisa”.

No texto da matéria divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, ainda são encontradas opiniões de outros especialistas, além de autoridades da justiça do estado.

Para ler a matéria na íntegra clique aqui.

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