Mulheres usuárias de crack em situação de comportamento de alto risco

Psicóloga escreve artigo sobre mulheres em comportamento de alto riscoA psicóloga da Clínica Viva e especializanda em dependência química, Luciana Yukiko, redigiu um artigo sobre as mulheres usuárias de crack que acabam enfrentando situações de comportamento de alto risco, principalmente aquelas que vivem em situações como as frequentadoras da cracolândia em São Paulo. Além de esclarecer as situações, a psicóloga também fala a respeito da necessidade da busca de um tratamento.

A incidência  do uso de crack entre as mulheres vem aumentando significativamente, podendo ser observada por meio do aumento na procura por tratamento. A intensidade e o rápido início de euforia combinados com a forte compulsão de uso, que se desenvolve gradativamente,  fazem do crack uma droga com alto potencial de dependência.

Ao vermos casos de mulheres grávidas ou mães recentes após a operação da Cracolândia, em São Paulo, o problema ganhou repercussão no Brasil inteiro. É preciso uma abordagem que enfoque a saúde pública, não camburões, armas de efeito moral e repressão. Essas mães não estão lá por que querem, mas sim porque estão doentes.

Habitualmente, o usuário de crack usa outras drogas simultaneamente ou tem antecedentes de consumo de outras substâncias. O início do uso se dá com drogas lícitas – álcool e tabaco – geralmente em idade precoce e com uso de modo pesado.  De forma geral, a maconha se torna a primeira droga ilícita. A progressão é influenciada pela idade,  pela experiência de vida e pelas questões emocionais. Muitas das dependentes trazem o relato de ter passado por estresse significativo na infância e na adolescência, questões traumáticas de vários tipos de abuso – dentre elas as de ordem sexual –  questões estas que geram dificuldade para se manterem abstinentes.

Os efeitos característicos do crack geram dependência, instalada pouco tempo depois de um uso regular. A fissura, que é a necessidade do consumo  da droga, acaba obrigando as usuárias a dependerem  de dinheiro, que não raramente é conseguido de forma  pela qual as mulheres se colocam em situações de alto risco – como a prostituição, por exemplo.

Para adquirir a droga, quando não se prostituem, muitas dependentes chegam a colocar seu corpo como moeda de troca pelo crack. Isso gera o perigo de práticas sexuais não seguras, como relações sem preservativo, gerando risco de gravidez indesejada ou doenças sexualmente transmissíveis.

Diante desses comportamentos entre as mulheres usuárias de crack, é importante e necessária a busca e a intervenção de profissionais da saúde, que podem fornecer informações e o tratamento especializado para cada caso, e assim obter uma possível mudança no estilo de vida, tendo uma vida com qualidade ao lado de filhos e familiares.

Por Luciana Yukiko Ambrósio – Psicóloga na Clínica Terapêutica Viva e Especializanda em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo.

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